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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Qua | 28.09.16

Que vidas guardam as casas quando já lá não há vida?

CD

Desde há uns tempos para cá, alguns dos meus vizinhos, foram-se embora. Juro que não sou eu quem potencia esta situação, não faço más vizinhanças, nem crio situações embaraçosas. Quero acreditar: antes pelo contrário.

 

Mas foram-se, uns a seguir aos outros, sem horas ou dias marcados. As suas pessoas deixaram de apanhar os meus elevadores e de passar pelo mesmo hall de entrada do que eu; as suas dinâmicas foram, certamente, modificadas, os caminhos que agora apanham para os colégios ou para os trabalhados foram alterados. Os seus barulhos, aqueles que bombeavam a vida das suas casas, desapareceram.

 

Imagino eu, não sei porque não vi, que nada resta a não ser o chão vazio e as paredes desocupadas, com picadas dos quadros outrora pendurados.

 

Hoje, porque já saíram, já não são meus vizinhos, serão, certamente, de outros alguéns, por isso, vou fugir dessa palavra.

 

As casas estão, ainda, vazias de móveis e vida e, sem novos seres com as características necessárias para adaptarem esta palavra, a palavra "vizinhos", pergunto apenas: que vidas guardam as casas quando já lá não há vida?

 

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