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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Dom | 01.05.16

Questões inquestionáveis.

CD

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Nos dias que correm, todos questionam. Mas, atenção: não digo isto com pesar. Não tenho nada contra quem tem, no espírito, a questão sempre pronta a espreitar. Eu própria questiono. Basta ler, com cuidado, muitos dos textos que escrevo cuja base é, tão-somente, questão atrás de questão. Interrogações, temas, inspirações, pensamentos adversos e contraditórios de quem tenta açambarcar diversos prismas.

Mudo tanto de opinião! Não me considero troca-tintas, mas a experiência e a maturidade permitem-me dizer, sem qualquer receio ou pudor, que mudo de opinião. Verdades eternas e incontestáveis deixaram de existir. Hoje em dia, não invento chorrilhos de verdades absolutas: permito-me sempre a proeza de alterar pensamentos, se o interlocutor, aquele com quem debato algum tema, alguma credibilidade me oferecer.

Questionar é bom. Permite-nos crescer enquanto seres pensantes. Quando a questão é sucedida por um diálogo, onde prevalece a partilha e troca de ideias, melhor ainda. É na junção de opiniões que crescemos. Na verdade, é quando reunimos todos os ângulos possíveis de uma questão, que formamos a nossa melhor esquina.

Mas, para mim, cujo feitio conservador assumo possuir, há questões que são (devo dizer, ciente do risco de parecer contraditória), inquestionáveis.

São dados adquiridos, valores mantidos e preservados. Não questiono a importância dos meus amigos e nunca – nunca – questiono a importância da minha família. Estou crente que há momentos em que ambos os grupos testam os meus limites, mas há pessoas que são intocáveis. Quero-os intactos.

Se cairmos na esparrela que a vida nos oferece de começarmos a questionar tudo, mesmo pontos que são intocáveis à partida, abrimos precedentes graves para a nossa lucidez enquanto pessoas.

Muito da minha génese será destruída no dia em que eu ousar questionar (não as suas opiniões – mas sim, a sua importância) as minhas pessoas. Não questiono. Não há questão para quem me “faz”. São o produto acabado delas. São intocáveis. São inquestionáveis. São minhas. As minhas pessoas.

 

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