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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Sex | 22.11.19

Razões divinas.

Catarina Duarte

Estava apenas alguma chuva mas o frio sentia-se com força. Reparei que uma pequena abertura entre duas nuvens deixava passar uns raios de sol. Não sei se por alguma razão divina mas incidiam precisamente no meu carro, aquecendo-me.

Ao quente do sol que, não sei se por alguma razão – repito - divina, me aquecia, assim que liguei o carro, juntou-se esta voz (que com vocês agora partilho) e que se desenhou corpulenta, abraçando-me, então, como talvez só os nossos o façam, e que eu – aqui me confesso - descobri tarde de mais.

Se ainda podia melhorar esta junção de factores, todos à mesma hora, neste dia frio de Novembro? Claro que sim – não estamos nós a falar de razões divinas?

Como muitas vezes, o óptimo pode sempre melhorar: aquecida fui, então, buscar o meu quente maior, agarrada à promessa que tinha acabado de fazer: introduzir ao meu filho, assim que estivéssemos juntos, a voz e a letra de Leonard Cohen.

E, como com promessas não se brinca, muito menos quando estas incluem divindades (aposto que, até nisto, os mais cépticos vão concordar): claro que a cumpri.