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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Seg | 14.05.18

Rescaldo da Eurovisão.

CD

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Como grande parte dos portugueses, também eu, no ano passado, fiquei deslumbrada com o Salvador Sobral mais do que, propriamente, com a Eurovisão.

 

Não adoro o formato da Eurovisão mas não é isso que me faz não seguir este espetáculo. É, basicamente, porque acho que as músicas são francamente más. Não me aquecem, nem me arrefecem, e não traduzem aquilo que as músicas (tal como a Arte, em geral), na minha opinião, devem traduzir: comover-nos e dar-nos algum sentido.

 

Apesar disso, ontem, porque não me apetecia fazer nada e precisava de mudar as antenas do meu tema do momento, lá puxei para trás e me dediquei a analisar. Não aguentei as mais de três horas de programa – calma, que ainda tenho uma vida –, fui acelerando nalguns momentos (ou, antes, nalgumas canções) mas consegui concluir algumas coisas.

 

Ora, aqui ficam elas:

 

- Não há uma única música em que eu diga: “olha, aqui está uma coisa gira”. Impressionante como tudo é excêntrico, megalómano, sem qualquer ponta de delicadeza. Demasiado fogo-de-artifício, como, e bem, Salvador Sobral detectou e referiu há um ano;

 

- Quanto à nossa música, apesar de pertencer ao grupo das mais sóbrias, achei muito fraquinha. Porém, parece-me excessivo termos ficado em último lugar. Não era boa mas também não era tão má como outras que por ali passaram;

 

- Por outro lado, somos mesmo fortíssimos no que toca à organização de eventos. Não tenho propriamente termo de comparação mas julgo que esta organização enche o olho a qualquer um;

 

- A Fado (Ana Moura e Mariza), na abertura do espectáculo, foi uma aposta mais do que ganha. Foi tão, tão bom. Mas não ficámos por aí: a dada altura, sobem ao palco Branko, Dino D' Santiago, Plutónio, Mayra Andrade e Sara Tavares e, entre outras, tocaram uma música que adoro chamada Reserva para Dois (podem ouvir aqui);

 

- As apresentadoras foram a escolha mais acertada da história das apresentadoras. Para mim, um dos pontos mais do que positivos deste espectáculo foi verificar que temos mãozinhas para isto e muito mais. Sem problemas, com saber e com classe, podemos entregar um trabalho a quatro pessoas que cumprem o papel de forma mais do que competente. Polémicas à parte, do que ao nível de inglês da Catarina Furtado diz respeito, todas elas estiveram perfeitas. Destaco particularmente o papel da Filomena Cautela que, talvez por não estarmos tanto à espera, o desempenhou de forma ímpar. Tenho acompanhado o seu percurso e parece-me que tem evoluído muito;

 

- A promoção que se faz a Portugal é gigante e tentadora. Os filmes que foram apresentados são maravilhosos e eu própria fiquei com vontade de começar a viajar mais cá dentro;

 

- Não vou comentar a vencedora da Eurovisão porque, enquanto a ouvia, fiquei sem palavras e acho que ainda não as recuperei. Pensar em quem ganhou no ano passado e em quem ganhou este ano…;

 

- Por último, o ponto alto foi, SEM DÚVIDA, a actuação do Salvador Sobral com a sua música "Mano a Mano" e, especialmente, com o enorme Caetano Veloso a cantarem o “Amar pelos Dois”. Por mim, ganhava outra vez, pode ser?

 

E vocês? Acrescentam alguma coisa à lista? 

 

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