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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Seg | 07.08.17

Residencial Oliveira.

CD

A Residencial Oliveira, que se endireitava envelhecida nas ruas da Madragoa, chama-se agora River Hostel. Os azulejos da sua fachada continuam azuis, continuam antigos, continuam iguais: uns estão completos, outros, a maioria, estão partidos. Por cima da porta, ofusca um néon amarelo com o novo nome da Residencial Oliveira.

 

O Café Central, que se desenhava desprendido no declive de Alfama, chama-se agora Lisbon Lounge and Bar. Este manteve a mesma máquina de café, o mesmo balcão com gordura, as mesmas garrafas empilhadas e, até, as mesmas cadeiras de ferro que o Café Central tinha quando esse nome usava.

 

Os táxis descarregam turistas, entornam-os nas Residenciais Oliveiras, nos Cafés Centrais que já o foram, nesta nova cidade que se embelezou com nome modernos, sempre estrangeiros, sempre em inglês, sempre com Lounge, com Hostel, com Rooftop, a acompanhar.

 

Esta cidade, que mantém a tradição, que mantém, apesar de tudo, a sua origem, denomina-se agora com nomes pomposos.

 

Até aguentamos bem a substituição do português por nomes estrangeiros e, enquanto este equilíbrio se mantiver, nomes novos mas iguais a nós mesmos, enquanto for só e apenas isso, até podemos dizer que não nos importamos com esta nova realidade e que Lisbon, apesar de tudo, continua a ser a antiga e bonita Lisboa.