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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Ter | 27.12.16

Ressaca Natalícia.

Catarina Duarte

Há sempre ressaca depois do Natal. A ressaca a que me refiro não se mede em litros de vinho bebido, nem na quantidade de rabanadas consumidas.

É uma ressaca que se materializa em saudade - no pior tipo de saudade - aquela que ainda não existe mas que sabemos que vai existir. Uma ressaca que se manifesta no sossego, no sossego desagradável, no típico sossego que nos acerta assim que a última pessoa fecha a porta.

É sempre uma ressaca de barulho mas com restos de tranquilidade.

Uma ressaca de saudade. Uma ressaca de abandono. Uma ressaca de “até para o ano”.

O Natal terminou agora. A última pessoa já saiu. Sentimos alívio por termos sobrevivido a mais um Natal mas sentimos também dor, dor forte, dor robusta, dor quase atlética, pelo facto de o próximo, o próximo Natal, ainda estar longe. Tão longe.

 

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