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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Qui | 28.03.19

São as mulheres que, muitas vezes, criam os machistas.

Catarina Duarte

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(imagem retirada do site pixabay)

 

Começamos a história pelas mães e passamos para as mulheres. Independentemente da ordem, são, muitas vezes, as mulheres que ajudam a criar homens machistas, quando lhes passam atestados de incompetência sucessivos no que, por exemplo, à lida da casa diz respeito.

 

Fico sempre muito pasmada com alguns discursos que vejo por este mundo fora quando o tema é machismo, como se os homens fossem todos uns bichos-papões e as mulheres todas umas Madres Teresas de Calcutá. Há, de facto, muitos homens que são bichos-papões e muitas mulheres que são madres Teresas de Calcultá mas enquanto as mulheres continuarem com a postura de que a responsabilidade, de tudo o que acontece em casa, é delas, não vai existir qualquer progresso a este nível.

 

Quando percebo, à minha volta, as mulheres a adquirirem a obrigação de ir ao supermercado, de fazer o jantar, de dar banhos aos miúdos, de lavar a casa, de passar a ferro, de dobrar as meias, entre outras coisas, e a estas funções ainda juntam um trabalho normal, o trabalho de todos os dias, e eles chegam a casa e “estão cansados” e se deitam no sofá à espera que “puff” o jantar seja servido, concluo sempre que o machismo está, para além de profundamente enraizado na nossa sociedade, a ser alimentado, diariamente, pelas mulheres.

 

Acho muita graça quando dizem, orgulhosas, que “o meu marido ajuda muito lá em casa”. Acho graça, pronto. Porque é uma frase machista, porque quem a diz não se apercebe disso e porque a usa para enaltecer quem com ela vive mas não se apercebe que “ajudar não é fazer” e que a responsabilidade de executar continua a ser da mesma pessoa (da mulher) e que o marido só vai lá – quando vai – dar uns toques.

 

Ficam felizes quando, no final do jantar, os maridos ajudam a por a louça na máquina, enquanto elas, depois de terem feito o jantar, reveem os TPCs dos miúdos e ainda dão um avanço na roupa que está a estender na corda.

 

Se querem mudanças na sociedade, no que ao machismo diz respeito, antes de virem pregar para a Praça Pública que há imensos homens machistas no mundo (sim, claro que há), façam a mudança em vossa casa, expliquem aos vossos maridos que “não há ajudas, há fazer” e, principalmente, eduquem os vossos filhos e as vossas filhas tendo por base a igualdade no comportamento.

 

Vão ver que os homens depressa deixam de ser os bichos-papões que tanto por aí anunciam e passam a ser pessoas normais. Sim, vai ser incrível.

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