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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Qua | 08.02.17

São do meu tempo.

Catarina Duarte

É com admiração (e, assumo, alguma inveja) que olho para as pessoas que dizem “ah, ele não é do teu tempo – é da minha geração”, quando se referem a um cantor de que gosto muito.

É engraçado: imagino, esses cantores, sempre a preto e branco; vejo-os em palcos básicos (um pouco arcaicos, até), no tempo em que – suponho eu - os espectáculos se centravam apenas no músico e nos sons dos seus instrumentos; imagino-os, aos espectáculos, mais solitários, com menos “show”, desenhados de forma, agora que penso nisto, mais introspetiva.

Os anos passam, (passam mesmo, não é mais uma tanga que nos contam) e, do nada, passei a ter também os cantores do meu tempo, aqueles que vi e que ficaram marcados mas que já cá não estão para contar a história.

E, agora, quando os recordo, surgem sempre a cores: algumas vezes, com brilhantes; noutras vezes, enquadrados em poderosos jogos de luzes e ruidosas actuações.

Gostava que não fossem imaginados, pelas gerações que nunca viveram na mesma época que eles, a dois tons mas, sendo certo que é inevitável a existência do antigo na nossa memória, ao menos que encarem, quem com eles dividiu o mesmo tempo, com admiração e, caso não seja pedir muito, com alguma inveja à mistura. :)

 

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