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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Qui | 14.12.17

Será que já não estou para fretes?

CD

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Com a idade – e com a consequente escassez de tempo para as actividades que, de facto, gosto – fui-me tornando uma pessoa relativamente seletiva.

 

Mas, atenção, esta seleção não é feita de forma consciente nem reveste contornos de snobeira crónica (juro). Mas, o que é certo, é que existe! Basicamente, consiste numa miscelânea de comportamentos que tenho vido a adoptar.

 

Como, muitas das vezes, é o meu corpo (ou o subconsciente?) a guiar para onde quero ir porque, como falei, não é um processo em que eu tenha propriamente voto na matéria, julgo que tudo advém da motivação que aqui dentro sinto e, talvez por ser uma situação abstrata, só há algum tempo é que comecei a detetar esta minha postura.

 

O primeiro - e mais notório – sintoma foi selecionar hobbies. Depois, foi selecionar eventos. Por último, acho que comecei a selecionar pessoas.

 

Quão importante é este evento? Quero mesmo ali estar? Será que com este tempo – tempo escasso, lá está – não podia estar, sei lá, a dormir ou a escrever ou a passear num sítio interessante? Esta pessoa acrescenta realmente valor à minha vida? Ou é só uma pessoa tóxica que por aqui anda? Lembro-me muitas vezes de uma frase que li há uns tempos que era qualquer coisa como "escolhe bem as pessoas com quem te dás; acabamos sempre por nos deixar influenciar por elas.".

 

Pergunto-me, muitas vezes, quanto pesa determinada situação quando comparada com outra. Quero mesmo estar aqui? Quero mesmo fazer isto? Quero mesmo falar com esta pessoa? Tê-la na minha vida? Ver-me evoluir na vida? Será que ela realmente fica satisfeita pelo meu sucesso? Ou o meu sucesso lembra-lhe o que não conseguiu criar na vida? Sim, malta, existem pessoas que não adoram ver o sucesso alheio porque isso lembra-lhes a vida fracassada que têm. Sim, é mesmo verdade, em vez de olharem para o sucesso como algo inspirador, estão lá só para nos ver escorregar.

 

Se calhar, já não estou para fretes – sempre quis usar esta expressão. Ou, se calhar, estou a crescer e a concluir que isto tudo passa demasiado rápido, tão rápido que não nos dá espaço para fretes.

 

Não há, se calhar, mesmo tempo para eles.