Sobre a educação.
Ela descia, de forma desengonçada, a ladeira de acesso ao meu prédio. Trazia na mão uma revista enrolada e, na outra, a carteira, de alça curta, cola ao corpo.
Segurei-lhe na porta quando percebi que era no meu prédio que ela pretendia entrar e aguardei.
Passou por mim, subiu as escadas de acesso ao elevador, carregou o botão e ficou, algo petrificada, a ver o número do andar a decrescer onde o elevador se situava, por cima da porta do mesmo. Parou no zero.
Eu continuava estática com a porta da mão a assistir. Larguei um “de nada” bem audível, segui-lhe o rasto e parei ao seu lado.
Justifico, por vezes, a falta de educação como falta de atenção. Pelo facto de as pessoas andarem tão distraídas, tão absorvidas pelo seu mundo, que se tendem a esquecer do que os rodeia. É o (meu) caminho mais fácil para justificar o mau comportamento dos outros.
Mas, depois penso, a educação foi feita para moldar comportamentos aos desatentos, a todos aqueles cujas regras tendem a resvalar para o chinelo.
E, depois penso novamente, se calhar são apenas pessoas que não tiveram a sorte de seguir o protocolo orientado da educação.
Se calhar é apenas isso. Não tiveram sorte.
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