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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Ter | 26.02.19

Sobre a família. Sobre os amigos. Na política. No PS.

Catarina Duarte

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Acontece muito: filhos de médicos serem médicos, filhos de pilotos serem pilotos e filhos de apresentadores de televisão serem apresentadores de televisão. Acontece muito mesmo. É aceitável, não vejo nada de estranho, não considero que tenha que haver favorecimentos de pais para filhos para isso acontecer. Claro que PODE haver ajudinhas. Só não acho que TENHA que haver ajudinhas para tal acontecer.

 

Basta olhar para a cultura e o que não faltam são exemplos de filhos que seguiram exatamente as pisadas dos pais e que têm tanto ou mais talento que os seus progenitores. Normalmente, arrisco-me a dizer, são uma versão melhorada do que os pais foram. Ou porque estudaram mais, ou porque aprenderam com os erros dos mais velhos, ou porque aproveitaram a visibilidade que os pais tinham, melhorando-a. Nada de errado. Só demonstra inteligência.

 

Na passada sexta-feira dediquei-me a ver, após o jornal da noite da RTP, o programa “Sexta às 9”, onde foi investigado e esmiuçado todos os relacionamentos existentes no PS.

 

O meu ponto nada tem a ver com pais e filhos serem ministros ou ambos terem seguido carreiras políticas, como foi o caso de Mariana Vieira da Silva (Ministra da Presidência e da Modernização Administrativa) e do seu pai, Vieira da Silva, Ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social. Como disse lá em cima, claro que PODE ter havido ajudinhas. Só não acho que TENHA que haver ajudinhas para que uma situação destas se dê.

 

Segundo o que li, Mariana Vieira da Silva tem bastante mérito e é de um imenso profissionalismo. Não li nenhuma opinião profissional negativa a seu respeito.

 

O meu ponto é que o Partido Socialista é muito dado a esta promiscuidade, onde todos somos amigos e frequentamos todos a mesma casa, onde nos tratamos todos por tu, e as questões são resolvidas aqui, com a malta, sem qualquer membro exterior para estragar a harmonia amigalhaça. Neste aspecto, sou obrigada a concordar com o João Miguel Tavares quando ele diz que:Ele demonstra na perfeição porque é que o termo “oligarquia” se tornou a expressão favorita de tanta gente, e porque é que o Partido Socialista, mais do que um herdeiro da Primeira República, é devedor de um certo espírito monárquico”.

 

Não digo que sejam incompetentes, não digo que haja favorecimentos, apenas digo que o meio onde esta gente se move é demasiado restrito e eu preferia, juro que preferia, que todos aqueles que nos representam não frequentassem a casa, a mesa e a cama uns dos outros.

 

Por muito que haja decoro e respeito e até alguma cerimónia, falamos sempre de assuntos que devem ser tratados com alguma distância protocolar e eu preferia assumidamente que os cargos fossem ocupados por pessoas sem grandes ligações entre si até para, mais que não seja, não se dar azo a especulação, em alguns casos, até completamente injustificada.

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