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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Qui | 08.02.18

Sobre a memória mal direcionada: tenho algo a dizer.

CD

São números atrás de números mas acho que já os decorei a todos: o meu número contribuinte, o do meu irmão, os dos meus pais, o meu número de telemóvel, o número de telemóvel do Ricardo, os códigos postais, o telefone da empresa, o número de telefone de casa, os códigos dos alarmes e os códigos pins.

 

Porém, a concentração que me falta, no geral, origina que, em particular, os baralhe quando mos perguntam.

 

Pedem-me o meu número contribuinte e eu respondo o meu número de telefone, pedem-me o telefone da empresa e respondo o número contribuinte do meu irmão.

 

Isto quando não é pior: quando me pedem o meu número contribuinte e digo metade do meu número contribuinte e metade do contribuinte do meu pai.

 

Sim, eu sei números contribuintes que não me pertencem e, sim, não me orgulho disso. Tenho uma enorme capacidade em decorar números mas depois esqueço-me do nome das pessoas. E das suas caras. Também decoro números que depois não sei a que dizem respeito, o que é triste porque, depois, ficam a baloiçar na minha memória como se fossem importantes – mas não são, caso contrário, lembrava-me, claro.

 

Também decoro matrículas mas isso já é mais normal, não é? E somo também, quando estou no trânsito, os números que nelas constam. Não tenho provas mas acho que isto tem ajudado no meu cálculo mental.

 

São demasiados números agrupados, aos pontapés aqui dentro, e a minha memória que insiste em estar direcionada para o que não interessa.

 

Aos 33 começamos a questionar tudo e é, esta idade, só mais um número para decorar: a idade que insisto em estranhar.