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(in)sensatez

(in)sensatez

Sobre os pescoços curvados que temos.

03.05.18 | CD

telemovel.jpg

 

Estive a contá-las e eram muitas as pessoas que, naquela rua, olhavam para os seus telemóveis.

 

Algumas estavam na paragem à espera, sentadas ou em pé, pouco interessa, mas todas puxavam com o polegar, para cima e para baixo, as imagens que no visor apareciam.

 

Para além dessas, outras pessoas, que ignoravam os carros e toda a confusão que surgia em seu redor, atravessavam a estrada, de pescoço curvado, numa concentração total no que se passava no tal visor.

 

Eu mudei de rua, virei à direita, para uma menos movimentada e, nela, as pessoas que corriam apressadas pelos passeios, também estavam com o telemóvel na mão, algumas utilizavam-no para aquela função básica “do antigamente”, que se trata de falar ao telemóvel, outras mandavam mensagens, e outras, simplesmente, usavam-no para ver o que se passava nas vidas, a parte que escolhem partilhar, das outras pessoas.

 

Nada contra esta dinâmica quase autista em que vivemos, este curvar não só de pescoço mas também de interesses, mas agora que as flores surgem, que o sol já espreita, que a luz se direciona para o caminho que pretendemos percorrer, podíamos aproveitar esta abertura luminosa que a Primavera nos fornece de forma gratuita e aproveitá-la, sem reservas e, principalmente, sem distrações.

 

É que há ainda muito para descobrir.

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