Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Qua | 27.06.18

Somos todos caricaturas.

CD

Não convém não aceitar isto: as caricaturas são tudo aquilo que somos. Um aumento a que tentamos fugir, uma amplificação que muitas vezes que não nos agrada mas, lamento dizer, está ali tudo desenhado e referido.

 

Se alguma dúvida existir, vejam a vossa caricatura.

 

Sempre achei piada a caricaturas pois ajudam-nos a ver tudo aquilo que preferíamos evitar, as nossas orelhas assimétricas ou os nossos olhos esbugalhados, e isso traz toda uma nova noção ao que somos. Como quando alguém nos aponta o dedo ou o esfrega na ferida que, em determinadas alturas, não é tão-ferida-assim, são mais uns grandes olhos verdes que até gostamos de ver.

 

Não passam de desenhados, é certo, mas o seu exagero é algo que me atrai. O exagero sempre me atraiu. O humor não passa de exagero com identificação à mistura, atrai-me sempre saber como é que ele funciona e como é que nasce a convulsão do riso. Uso imensas vezes a palavra “imenso”, mais uma indicação de que sou fã do exagero, dá carga à história, vocês sabem, mesmo que o “imenso” exagero que orgulhosamente utilizo nada queira dizer para além de “duas ou três vezes”.

 

Quero com isto dizer que gostava de ter uma caricatura minha na minha sala? Não. Como em todas as coisas da vida, não nos faz bem chocarmos, diariamente, de frente com aquilo que não gostamos em nós mas, especialmente, com aquilo que nos engrandece.