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(in)sensatez

25
Abr18

Temos que estar desconfortáveis para viver.

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Inicialmente, a minha ideia era referir que temos que estar desconfortáveis para escrever. Mas, depois, pensei melhor e, de facto, apesar de arriscado, devo dizer que temos que estar igualmente desconfortáveis para viver.

 

Vivemos montados na inércia. Tomamos algumas iniciativas, claro que sim, mas, genericamente, somos pouco arrojados nas nossas decisões. Damo-nos bem com o sofá que temos lá em casa, ele já está moldado ao nosso corpo, encaixa na perfeição na nossa anca larga e no nosso tronco fino, dali procuramos não sair, a menos que tenhamos fome ou vontade de ir à casa de banho.

 

Mas depois há momentos que acendem em nós aquela vontade inexplicável de realizar com rapidez, porque nos sentimos desajustados, porque estamos em ambientes estranhos, em ambientes que até nos magoam, como quando estamos sentados no chão a escrever um texto e, aos poucos, nos começa a doer as costas porque estão apoiadas na parede que é dura e fria, e depois nos dói a anca e as pernas porque estão esticadas para melhor apoiar a almofada, para melhor apoiar o caderno, e depois já não temos posição, mas a escrita avança rápida porque é só mais uma palavra, é só mais uma frase, é só mais um parágrafo, porque agora não podemos parar e temos mesmo que escrever e escrever e escrever, e as dores começam a ser pouco suportáveis, mas, ainda pior que as dores, são as ideias puderem fugir e depois, como é sempre, ser difícil encontrá-las e o prejuízo ser maior, muito maior do que uma pontada nas costas.

 

No final do texto, lá nos levantamos e seguimos para a nossa cadeira ergonómica, acendemos a luz que está montada de forma a que a sombra escorregue para o sítio certo, pois não convém que a nossa mão faça sombra na folha que pintamos, colocamos as pernas de modo a que construam um perfeito ângulo reto, de forma a que a postura fique correta e confortável, como quando estamos no nosso sofá, e seguimos fiéis à nossa inércia, escrevendo de forma alinhada, direcionada e sem erros mas remetidos à tristeza da permanente e dolorosa apatia.

11
Abr18

A escrita faz-se.

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A escrita faz-se dos dias e, especialmente, das noites. A escrita faz-se das ausências, sim, a escrita faz-se muito de ausências, mas também de trabalho, de falar com pessoas, e de descanso, quando esse trabalho e essas pessoas se agrupam em nós e descansam também elas.

 

A escrita é uma veia e uma artéria e um ventrículo e é, talvez, os nossos vários alvéolos e, com isto, consegui misturar vários sistemas que nos compõem e uni-los à escrita, viram?

 

A escrita faz-se dos dedos das nossas mãos mas também dos dedos dos pés, com as suas unhas tortas que, por vezes, encravam e doem, os dedos dos pés e as suas plantas, os pés que se arrastam e que nos unem ao solo que pisamos e do qual não nos conseguimos soltar. E, claro, a escrita faz-se das solas dos sapatos que usamos e gastamos e gastamos.

 

A vida faz-se dessas veias, artérias, ventrículos e alvéolos. A escrita faz-se dos dedos das mãos, dos dedos e plantas dos pés, e das solas dos sapatos.

 

E é tão difícil soltar-nos desta escrita que nos compõe e que em nós se agrega e se parte e se constrói.

01
Mar18

Eu sou zen.

CD

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Como podem ver, eu sou super-mega-hiper zen. Ou, então, não! Foi só mesmo para a fotografia porque já percebi que, nisto das redes sociais, temos que inspirar os outros a relaxar, a aceitar, a respirar (nunca se esqueçam disso - é mesmo fundamental respirar!), sei lá, a viver em paz com o mundo!

 

E é isso que pretendo fazer convosco a partir de AGORA. Ou, então, não.

 

Ou, então, só vos queria mesmo dizer que, no próximo sábado, a pedido de várias famílias, vou inaugurar o Nível 2 dos meus Workshops de Escrita Criativa. E, não, não foi publicitado. E, sim, vai ser para um número super-mega-hiper restrito de participantes (calma, só pode participar quem frequentou o nível 1).

 

O que foi publicitado - e, para esse, ainda estou a aceitar inscrições - é a nova data para Workshop de Escrita Criativa, Nível 1, dedicado a quem quer desbloquear a escrita e ter algumas noções base que lhe permita avançar neste árduo processo que é escrever.

 

Para mais informações é só enviarem e-mail para escritacriativainfo@gmail.com, que respondo com todas as informações necessárias e de forma mais zennnn possível!

 

Prometo! Até já!

27
Fev18

NOVA DATA: Workshop de Escrita Criativa - 17 de Março.

CD

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Consegui arranjar uma nova data!

 

Vamos escrever? Siiiiimmmm!!!

 

Como já vem sendo hábito, o Workshop de Escrita Criativa será na maravilhosa Biblioteca de São Lázaro, em Lisboa, das 10h00 às 14h00, no dia 17 de Março (sábado).

 

Para mais informações, enviar e-mail para escritacriativainfo@gmail.com

 

Espero por vocês!

 

❤︎

 

22
Jan18

Workshop Escrita Criativa - 27/Jan (próximo sábado) - Últimas Vagas!

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ÚLTIMAS VAGAS!

Todos nós temos aquele amigo que adora escrever ou conhecemos alguém que devora livros e que gostava de perceber mais como eles funcionam.

Aqui está uma óptima sugestão!

Feito em parceria com a lindíssima Biblioteca de São Lázaro, em Lisboa, este Workshop vai ter a duração de 4 horas (das 15h às 19h), já no próximo sábado, dia 27/Jan.

 

Partilhem este Workshop de Escrita Criativa. São as últimas vagas!

 

Para mais informações enviar e-mail para escritacriativainfo@gmail.com.

18
Jan18

Escrever não é apenas escrever.

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O sucesso é muito relativo. É tão relativo que, num grupo de 10 pessoas, se lhes fosse perguntado o que é que, para cada uma delas, o sucesso representaria, de certeza que dali sairiam 10 definições de sucesso, totalmente diferentes, totalmente válidas.

 

Para quem escreve, arrisco-me a dizer que, possivelmente, o sucesso é ser lido. Ser lido por muitas pessoas. Julgo que todos os que escrevem não o fazem apenas para guardar, em si, os recortes das memórias nas palavras debitadas. Não! Quem escreve e publica, num blog ou um livro, tem, como ambição, chegar a mais e mais pessoas.

 

Mas, aqui é que é o ponto, escrever dá trabalho. Porque escrever não é apenas escrever. Escreve é ver, (mas é mais do que isso) escrever é observar e depois apontar e imaginar e sentir, é, muitas vezes, sentir o que se está a imaginar, é transformar a imagem e as emoções em palavras, em frases, é lê-las e odiar tudo o que se escreveu e é, também, querer desistir, querer desistir muitas vezes mesmo, é rescrever tudo, é salvar, e desligar e é, no dia seguinte, reler e não gostar e voltar a escrever e perceber que ainda não está perfeito.

 

Por isso, pela complexidade que a escrita em si encerra, há muitas desistências pelo caminho porque escrever suga-nos até ao tutano.

 

As pessoas iludem-se e desistem porque, no geral, as pessoas são seduzidas por uma ideia de sucesso que veem acontecer a quem se sacrifica diariamente em nome da escrita. Só lhes chega a ponta do iceberg, o produto final, aquele que é consumido, na maior parte das vezes, em 5 minutos, quando se está na sanita ou a fazer aquele scroll no facebook e esbarramos num texto cujo título até é aliciante.

 

Este sucesso, ou este reconhecimento, este texto escrito por nós, tem incontáveis horas de trabalho, muitas delas tiradas à família, aos fins-de-semana de praia ou de filmes, às noite bem dormidas e ao sono descansado.

 

Quem escreve e trabalha e vive tudo isto de forma séria, sabe bem do que é que eu estou a falar. E quem escreve apenas, não tendo outro trabalho, também sabe, porque escrever apenas nunca é escrever apenas: é um trabalho a vinte e quatro horas.

 

Procurem a vossa singularidade e trabalhem. Trabalhem muito. Para o sucesso poder fazer todo o barulho que ambicionam.

 

Os outros estarão cá para vos ler.

16
Jan18

Pacto de não agressão.

CD

Nunca tive, propriamente, muita razão de queixa no que toca às pessoas que me seguem. Fora um ou dois comentários mais chatos, que rapidamente foram remetidos para o lixo, as pessoas, de uma forma geral, sempre foram sérias e educadas no debate dos temas que lanço no blog. E não, não precisam de concordar comigo. Até podem discordar. Na verdade, até gosto que discordem, pois, só assim, é que todos nós evoluímos, uma vez que, ao discordarem, remetem-nos para ângulos que não reparámos antes. A prova de que uma discussão pode ser saudável é a quantidade de comentários (muitos deles a concordar, é certo) que estou a receber no meu texto sobre as “Quotas”. É mesmo possível que, perante um texto polémico, as pessoas conversem, exprimam pontos de vista e mostrem as suas motivações, sem nunca agredir. 

 

Vamos todos tentar mais vezes isso?

04
Jan18

Já cá estou!

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Estes dias souberam-me pela vida, meia desconectada do mundo.

 

Dormi muito e acho que comi ainda mais. Escrevi pouco mas alinhei umas ideias. Li muito. Fotografei bastante (algumas fotografias podem ser vistas no meu instagram aqui).

 

Desculpem qualquer coisinha mas, às vezes, é preciso parar e colocar tudo nos seus devidos lugares.

 

Pelo caminho, tenho uma novidade: vou abrir um novo Workshop de Escrita Criativa, em parceria com a lindíssima Biblioteca de São Lázaro (se não conhecem, têm mesmo que conhecer).

 

Será dia 27/01 deste novo ano, das 15h00 às 19h00. Já estou a aceitar inscrições e já sabem que as vagas são, como sempre, limitadas.

 

 

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Para mais informações, é só enviar e-mail para escritacriativainfo@gmail.com.

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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