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(in)sensatez

03
Mai18

Dizem os outros.

CD

“As sensações são instáveis, transformam-se em lembranças, variam e bailam, podem prevalecer sobre aquilo que se disse e ouviu, sobre o repúdio ou a aceitação. Às vezes as sensações fazem desistir, às vezes dão ânimo para tentar de novo.”

Assim Começa o Mal - Javier Marías

 

24
Mar18

Opinião: O Que Sabemos do Amor, de Raymond Carver.

CD

carver.jpg

 

Aqui há uns tempos escrevi:

 

“Estou a ler um livro que me anda a inquietar.

Ontem, por exemplo, tive que o largar, porque já era tarde, já estava meia adormecida e estava com receio que me assombrasse o sono – resolvi pegar noutro.

É muito poder dado a um aglomerado de folhas. Muito poder. Mexerem com os nossos sentimentos, ainda é como o outro, mas, bolas!, mexerem com o nosso sono é, absolutamente, brutal (caso não fosse muito cansativo).

Vou falar sobre ele brevemente - acho que este escritor merece ser partilhado ao mundo.

Curiosos?“

 

Foi engraçado porque, assim que escrevi o texto acima, algumas pessoas vieram-me logo perguntar qual era o livro. Aqui estou eu para revelar tudo.

 

O livro chama-se "O que sabemos do amor", de Raymond Carver.

 

Carver foi um escritor americano que apenas viveu 50 anos e que ficou conhecido, essencialmente, pelos seus contos. O facto de se ter casado muito cedo e de ter que sustentar a família, levou-o a deixar a escrita de lado. Há imensa confusão com as edições dos contos de Carver. Eu comprei e li a que está na imagem, publicada pela Quetzal, traduzida por João Tordo, pois os contos estão completos. Neste livro encontramos, então, a versão original de 17 contos escritos por Carver.  No livro onde estes textos estão reproduzidos (e, também, o mais conhecido) “De que falamos quando falamos de amor”, mais de 50% dos textos estão cortados. Portanto, quando comprarem, assegurem-se que têm a versão dos contos completa.

 

Eu adorei este livro. Carver escreve maravilhosamente bem, de uma crueza inimaginável, sem qualquer mel para adoçar o que de mais ácido existe em nós.

 

Quando lemos os seus contos, estamos sempre com o coração na boca, não pelas frases pomposas e cheias de bibelots, mas devido à dureza que cada ideia, lugar ou pessoa, em si encerra.

 

Destaco 4 contos: “O Caso”, “Uma Coisa Pequena e Boa”, “Se tu assim o quiseres” e “Principiantes”.

 

O conto “Principiantes” tem uma descrição do que é o amor que é absolutamente deliciosa pelo realismo que representa. Fala sobre o quanto amamos quem hoje temos ao lado, o quanto amámos quem por nós passou, a forma como não conseguimos compreender como amámos tanto quem connosco viveu e, especialmente, a nossa capacidade de acabar e de recomeçar.

 

Os contos são envolventes, alguns duros, na maioria duros, mas a dúvida permanece sempre, deste título que, de afirmação, transformo em pergunta: O Que Sabemos do Amor?

 

Leiam. É um dos livros da minha vida.

19
Mar18

Nada vale o que é nosso, sem ser para nós.

CD

livros.jpg

 

O conjunto das nossas coisas, como muito bem referiu Miguel Esteves Cardoso, só faz sentido porque é nosso e por nós ter sido construído.

 

Será que mais alguém se interessa pela minha coleção de coisas? Por todas as coisas que a compõem? Sem exceção?

 

Os exemplares do livro que escrevi, vão continuar a viver nas casas que agora lhes dão guarida. Possivelmente, haverá sempre alguém que gostará das suas ilustrações garridas, espero. Espero também que alguém continue a gostar da história por mim criada, que remete para a doçaria alentejana. O chorão, que plantei, irá continuar a fazer sombra, de modo a abrigar os corpos que por ali se continuarão a esticar.

 

Mas, e todas as outras coisas?

 

Os livros da minha estante serão desmembrados, talvez oferecidos, uns já hoje preferem uns, outros irão preferir os outros, certamente. As minhas roupas serão retalhadas, divididas pelas pessoas que ficam. As minhas jóias e os meus lenços irão também ser escolhidos consoante o gosto de cada uma.

 

Os meus sapatos, que não são assim tantos, talvez sejam os únicos dados por inteiro, como um conjunto, uma vez que não há muita gente, na minha família, que calce o meu número.

 

E será isto. Ninguém ficará com a coleção inteira de nada.

 

É triste constatar mas, ao mesmo tempo, é realista referir que, nada vale o que é nosso, no seu conjunto inteiro, sem ser para nós.

07
Mar18

Livros e Livrarias.

CD
02
Mar18

Quando falamos de Arte, falamos de quem?

CD

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Passei muitos anos a achar que a Arte pertencia a quem a criava. Que ingénua que eu era! Hoje em dia, já não penso assim, claro.

 

Qualquer quadro, livro ou filme, só tem valor porque mexe com quem recebe esse quadro, livro ou filme. Só existe e só permanece porque, quem recebe esse quadro, livro ou filme, se identifica e, nalgum momento, encontra um elo de ligação que os liga a si mesmo.

 

Quando falamos de Arte, fazemo-lo sempre de forma lata e colocamos a importância em que a cria. Compreendo, porque, quem a cria, tem, de facto, muita importância no processo (especialmente, no processo de criação), mas estaremos mesmo a falar do criador quando falamos de Arte? Não me parece.

 

Ela só vale porque fala para nós e, especialmente, porque fala sobre nós. Ela só tem peso porque consegue criar pontes e estreitar laços. Ela só existe porque nós existimos.

 

Portanto, quando falamos de Arte, inevitavelmente, acabamos sempre por falar de todos nós.

 

Por isso, leiam livros, vejam filmes e frequentem exposições, experimentem fusões gastronómicas improváveis e vejam catedrais. Vão descobrir mais sobre vocês do que imaginam!

 

Qual a vossa opinião?

27
Fev18

NOVA DATA: Workshop de Escrita Criativa - 17 de Março.

CD

WS Escrita N1 Mar18.jpg

 

Consegui arranjar uma nova data!

 

Vamos escrever? Siiiiimmmm!!!

 

Como já vem sendo hábito, o Workshop de Escrita Criativa será na maravilhosa Biblioteca de São Lázaro, em Lisboa, das 10h00 às 14h00, no dia 17 de Março (sábado).

 

Para mais informações, enviar e-mail para escritacriativainfo@gmail.com

 

Espero por vocês!

 

❤︎

 

16
Fev18

4 livros para quem não lê.

CD

livros2.jpg

 

Resolvi fazer este texto porque conheço muitas pessoas que não leem e que, normalmente, quando questionadas pela razão para não o fazerem, aplicam aquele argumento…, bom, como dizer, básico, que consiste em: “eu não gosto de ler”.

A essas pessoas, normalmente, recomendo (obrigo?) a leitura de uns quantos livros. Se não começarem a ler com estes, então, assumo a minha derrota, e podem dedicar-se definitivamente à pesca.

Quem quiser começar a ler com regularidade, tem aqui óptimas dicas (modéstia à parte).

 

Vamos lá passar para as sugestões:

 

- O Talentoso Mr. Ripley, de Patricia Highsmith – Eu adoro a Patricia Highsmith e tenho imensa pena que não se fale mais dela. Este livro é maravilhoso, cheio de reviravoltas, personagens completas e uma óptima história. A seguir, assim diretos, vejam o filme (com Matt Damon, Gwyneth Paltrow e Jude Law) que também vale bastante a pena. Sendo muito bom, obviamente, que não chega aos calcanhares do livro.

 

- Os Três Casamentos de Camilla S., de Rosa Lobato de Faria – Tenho uma relação de amor-ódio com a Rosa Lobato de Faria. Gostei muito deste livro mas há outros (um, em particular) que, bom, odiei. Ainda assim, há que reconhecer que a sua escrita é maravilhosa, quase poética. Este livro é muito romântico. Ideal para quem gosta de uma boa história de amor. Recomendo tanto, tanto.

 

-  O Manipulador, de Jonh Grisham – É um livro que facilmente daria um filme (se a memória não me falha, há um filme com este nome mas, julgo eu, não tem nada a ver com este livro). Não é uma obra-prima, temos que ser sinceros, mas cumpre bem: envolve e mantém-nos agarrados, da primeira à última página.

 

- Como Água para Chocolate, de Laura Esquivel – Outro livro dedicado a quem gosta de histórias românticas. Mas este tem um bónus: liga-nos ao maravilhoso mundo da cozinha. Tenho uma amiga que, enquanto o estava a ler, desejava que ele não acabasse nunca, de tão saboroso que era. Vejam e, a seguir, mergulhem no filme. Um livro que maravilha!

 

Não são boas sugestões para quem não tem o hábito de leitura? Que mais sugeriam?

15
Fev18

Livro.

CD

Estou a ler um livro que me anda a inquietar.

Ontem, por exemplo, tive que o largar, porque já era tarde, já estava meia adormecida e estava com receio que me assombrasse o sono – resolvi pegar noutro.

É muito poder dado a um aglomerado de folhas. Muito poder. Mexerem com os nossos sentimentos, ainda é como o outro, mas, bolas!, mexerem com o nosso sono é, absolutamente, brutal (caso não fosse muito cansativo).

Vou falar sobre ele brevemente - acho que este escritor merece ser partilhado ao mundo.

Curiosos?

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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