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(in)sensatez

19
Mar18

Neste Março.

CD

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As gargantas arranhavam de tão secas que estavam, os veios já estavam demasiado abertos e a terra pintava-se de castanho e de creme e de aridez.

 

Em circunstâncias normais, mandávamos vir com estas águas e com estes tornados e com estes temporais. Esta chuva nunca mais acaba! – Era comum ouvir-se, em qualquer sala em que se entrasse. Hoje, neste Março, muita coisa mudou: podemos até pensar mas o bom senso não nos deixa ir mais longe.

 

Atualmente, 80% do território já não está em situação de seca. Neste momento, só algumas regiões se encontram em situação de seca fraca (Litoral Norte, Baixo Alentejo e Algarve).

 

É motivo para festejar. Mas julgo que, apesar de em Abril, águas mil, ainda não é razão para pedirmos Sol.

09
Mar18

Neste temporal, vamos fazer diferente.

CD

Não sei se é a seleção natural, mas não há agitação marítima em Portugal que não venha acompanhada de malta, que se vai pôr junto às marginais desta vida, a tirar fotografias e selfies, embasbacada com o tamanho das ondas (são ondas, senhores!).

 

Posso estar a ser muito agressiva (desculpem, é sexta-feira, dormi pouco e este fim-de-semana vai ser de chuva) mas isto roça o limiar da burrice.

 

Vamos lá ter juízo e passar os próximos dias afastados do mar (de preferência, em casa, a dormir ou a ver o Benfica).

08
Jan18

Quanto tempo vai durar a recordação de nós?

CD

 

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Não estou a falar da nossa recordação ou da nossa capacidade de memória. Refiro-me à recordação que têm de nós.

 

Penso tantas vezes nisto.

 

Quantos de nós se lembram dos seus trisavós? Quem os conheceu realmente? Ainda repetem as suas histórias, as histórias que ouviram de boca em boca, ou já caíram completamente no esquecimento?

 

Imagino, dos bisavós para trás, que não conheci nenhum, todos a preto e branco e sem se rirem.

 

Não sei os seus nomes, eles foram esquecidos, as suas histórias não saltitaram, não foram, de algum modo, registadas e, consequentemente, foram todos apagados da nossa memória.

 

“Nós vivemos enquanto falarem de nós.” – Acredito muito nesta frase cujo autor desconheço mas que é possível que seja o meu pai.

 

Daqui a 100 anos ninguém se lembrará das nossas feições, dos nossos tiques, da nossa voz. As nossas histórias deixarão de ter importância e o mais certo é terem sido esquecidas.

 

Isto é só para concretizar o quão insignificantes todos somos.

17
Dez17

Há um tempo para tudo.

CD

Há um tempo para tudo.

 

Há um tempo para vivermos a Islândia com mais luz, há um tempo para visitarmos o Japão com as amendoeiras em flor e há, claro, um tempo para mergulharmos no Oceano Índico sem monções.

 

Mas há, também, um tempo para fazer, para criar, para realizar ou, pelo contrário, para assumir o abandono de algo.

 

Por vezes, dizem-nos que nos devemos desligar ou ligar, que devemos fazer ou abandonar e nós não entendemos a mensagem. Mantemo-nos focados naquilo que julgamos certo: ligados ou desligados, não queremos fazer ou, por outro lado, fazemos tudo.

 

Não entendemos, nunca entendemos, porque nos obrigam a seguir o caminho que, provavelmente, devíamos seguir.

 

A razão dessa falta de entendimento é porque, basicamente, não é o nosso tempo! E não ser o nosso tempo é tudo quando se tem que optar, escolher ou ficar quieto.

 

Há um tempo para tudo e, bom, somos sempre nós que o definimos, mesmo que julguemos que não.

 

E, claro, há um tempo certo para visitar a Islândia, o Japão ou o Índico, independentemente da luz, das amendoeiras ou das monções e esse tempo só a nós (e sempre só a nós) diz respeito.

16
Nov17

Fita métrica.

CD

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Ultimamente, tenho escrito sempre rodeada do meu livro cor-de-rosa preferido mas também, não sei porquê, de uma fita métrica.

 

Sobre a fita métrica que veio parar à mesa de onde vos escrevo, a sua história inicial não sei, mas sei que foi usada numa formação cujo objetivo era definir e quantificar o tempo.

 

Sobre a definição de tempo, já vos falei, tenho bastante dificuldade em compreendê-la e é até um tema que me inquieta e que revisito com regularidade. Escrevo muito sobre isso (aqui e aqui).

 

A fita métrica, não pretende, julgo eu, ser um exercício macabro mas, apenas e só, realista.

 

Consiste em cortar a fita na esperança média de vida dos portugueses (julgo que é 83 anos) e voltar a cortar na nossa idade (aqui será, claro, os 33 anos).

 

Depois, bom, depois é analisar, com a fita que nos fica nas mãos, o pedaço que nos falta viver e o que queremos construir com ele.

 

Pensem nisto e não fujam já: seguramente que ainda falta muito para a vossa fita terminar.

 

13
Nov17

O tempo.

CD

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O tempo sempre me intrigou.

 

Parece, à primeira vista, uma medida exata. “Um minuto é um minuto”, dizem vocês e eu concordo; embora, claro, sei que vamos discordar se referirem que “uma vida é uma vida” – aqui, quantos tempos cabem?

 

O livro Sapiens, de Yuval Noah Harari, diz, no seu primeiro parágrafo: “Há cerca de 13,5 mil milhões de anos, a matéria, a energia, o tempo e o espaço surgiram no que ficou conhecido como Big Bang. À história destes aspetos fundamentais do nosso Universo, chamamos física.”

 

Leiga no que à física diz respeito, consigo ver a matéria, presenciar a energia e, até, verificar o espaço, mas tenho sempre muita dificuldade em sentir o tempo. De sentir e de vibrar mas, verdade seja dita, sinto-me sempre a flutuar com ele.

 

Na verdade, o tempo, esse ser escorregadio, continua a ser uma ciência oculta para mim: 13,5 mil milhões de anos depois eu continuo sem o entender – digam-me, por favor, que não sou a única.

 

O tempo, em teoria, deverá ser uma medida igual para mim, para ti que me lês ou para ele que, não me lendo, também o vive.

 

O tempo, essa coisa intangível, vaga, que nos transforma e que nos consome, suspeito que não passa de um buraco escuro para onde nos afundamos todos, dia após dia, sempre mais um bocadinho.

 

O tempo, esse minuto, mais minuto, menos minuto, cheio de sessenta segundos, todos vivos, todos iguais, para mim, não é nada; ele voa e desaparece.

 

Porém, esse minuto, cheio dos tais sessenta segundos, igual para mim, igual para ti e igual para ele, para a Maria dos Anjos, que vive os seus dias a ver os segundos que compõem os minutos passar, e também para a Dona Conceição, esse minuto será imenso: pode encorpar numa conversa que se quer ter, numa palavra que se pretende dizer ou num detalhe que lhes irá encher os dias.

Para nós, esse minuto, cheio de sessenta segundos, é rápido e igual a todos os outros; para elas, que os veem passar, uma vida inteira está ali condensada.

 

Amanhã faço anos. Não sei quantos minutos já completei mas a verdade é que não sinto o tempo rolar, esse conceito abstrato, esse conceito incorpóreo; sei que estou mais velha, mas sei também que ainda me falta fazer muita coisa.

 

Nisso, tempo, nisso podes dar uma ajuda: fica! Abranda um pouco, mas fica; apesar de mal te ver passar, gosto de ti como és.

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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