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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

16.08.17

O terrível momento “Unsubscribe from this list”.

CD
      Todos nós já passamos por este momento. Do nada, pertencemos a uma lista e, devido a essa situação, começamos a receber uma determinada newsletter, na nossa caixa de e-mail, de forma completamente maluca: promoções, campanhas, eventos e conversa fiada, no geral. Não sabemos muito bem como aconteceu – afinal, nunca tivemos qualquer contacto com essa empresa (ou, se tivemos, foi um contacto remoto, ocasional, numa noite de copos, que queremos esquecer) – e, de (...)
08.02.17

São do meu tempo.

CD
É com admiração (e, assumo, alguma inveja) que olho para as pessoas que dizem “ah, ele não é do teu tempo – é da minha geração”, quando se referem a um cantor de que gosto muito. É engraçado: imagino, esses cantores, sempre a preto e branco; vejo-os em palcos básicos (um pouco arcaicos, até), no tempo em que – suponho eu - os espectáculos se centravam apenas no músico e nos sons dos seus instrumentos; imagino-os, aos espectáculos, mais solitários, com menos (...)
06.02.17

Diga Bom Dia com Mokambo.

CD
  Dizer que é na recordação que estremecemos é, simplesmente, dizer mais do mesmo. Em muita literatura (e – também - em situações menos complexas como pequenos textos), escreve-se, divaga-se e, muitas vezes, medita-se sobre a memória – na verdade, a sua importância é enorme: é sempre ali que vasculhamos a saudade. A memória é o que temos de mais valioso. Não me venham com tretas. O futuro até pode trazer projectos óptimos (claro que sim); o presente pode até estar a (...)
06.12.16

Matéria de sonhos.

CD
Não acredito em muita coisa na vida mas, se há coisa em que acredito, é na importância dos sonhos como forma de mantermos a nossa sanidade mental. Aliás, vou mais longe: como forma de existirmos. Será que todos sonham? Tenho dúvidas de que haja alguém que não sonhe. Sou feita dos sonhos que possuo. Sou matéria. Sou substância. Sou composta. Sou concretamente feita pelos sonhos que tenho. E, o mais engraçado, é que nenhum deles passa por estar estendida ao sol, durante o (...)
04.12.16

Oficialmente, uma senhora.

CD
Entrei (atrasada para a consulta) naquele prédio recuperado da Avenida da Liberdade.  A fachada era antiga e estava pintada, não de fresco, mas de novo.  Uma senhora, sentada num banco, à entrada, sublinhava calmamente – com aquela calma que as pessoas de idade têm e que eu invejo - frases de um livro que lia. Escrevinhava também nas suas margens. Disse, quando me viu entrar,  com verdadeira educação: “Boa tarde, minha senhora.” E eu, bom, eu cresci logo mais dez (...)
01.12.16

Sobre as pessoas que estão sempre a perder tudo.

CD
Estou aqui para repor a dignidade de quem está constantemente a perder tudo porque, simplesmente, as pessoas que perdem tudo sofrem, pela vida fora, de pouca compreensão e de muitas injustiças.  Em primeiro lugar, há que referir que as pessoas que estão sempre a perder tudo sofrem, verdadeiramente, com isso. Ninguém gosta de viver em constante (...)
30.11.16

Lareira.

CD
A lareira estava forrada com tijolo firme: pintaram, e não foi ao acaso, os tijolos com tinta acetinada. Conferia-lhes um ar requintado. Na sala, tudo combinava: os móveis nas proporções certas e as cores a fornecerem sentido e harmonia – estão na moda os brancos e os cinzentos, os ambientes clean e despegados. Mas a lareira estava forrada. Impecavelmente forrada, é certo: mas forrada. Encostada a si, repousavam velas brancas, de estrutura grossa, possivelmente, para fornecer um (...)
29.11.16

Chás e tagines.

CD
 Não me choca a diferença cultural. Não olho com desdém para hábitos diferentes dos meus nem, tão-pouco, com superioridade por viver confortavelmente num país desenvolvido. Como é óbvio, tenho como certo que é no aglutinar das diferenças que nos vamos tornando pessoas mais completas e é exactamente essa a magia que me leva a viajar – se quisesse ver (...)
18.11.16

Eu era feliz nas massas.

CD
Há cerca de uns 4 meses, resolvi olhar, de forma crítica, para o género de alimentação que tinha e tirar algumas conclusões. Sou completamente contra fundamentalismos, especialmente se os mesmos forem feitos tendo por base modas ou tendências - sem qualquer conhecimento sobre os temas. Sabia, então, que, para alicerçar opções, teria que ler, que estudar, que ter aulas – e foi isso que aconteceu. Consegui, desta forma, assegurar as minhas decisões não tenho por base as (...)