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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Qua | 27.03.19

Tangerinas e gravidezes.

Catarina Duarte

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Quando a descasquei, a tangerina deitou um cheiro muito ácido, tão ácido que duvidei se seria mesmo uma tangerina. Tem sido uma das características desta gravidez, esta vontade incontrolável de comer citrinos: tangerinas, laranjas, clementinas, marcha tudo sem grande critério – tudo, menos limões.

 

Neste Natal em que estive grávida, troquei um livro que me ofereceram pela girafa Sophie e o Ricardo trocou um frapé que, afinal, já tinha, por babygrows quentinhos tamanho zero e um: os recém-nascidos têm muito frio, dizem. Nunca tinha trocado livros sem ser por livros e o Ricardo nunca tinha trocado nada relacionado com álcool sem ser por álcool.

 

O último dia do ano, quando fizemos 24 semanas de gestação, foi festejado a ouvir Ornatos e The National. Festejamos os três. Tirámos, nesse dia, muitas fotografias na praia porque, final do ano que se preze, tem sempre muita areia e infinito mar, mesmo que as temperaturas não ajudem à vontade de lá mergulhar.

 

Eu, que até sou uma pessoa de sorriso fácil, fico admirada com a minha liberdade de felicidade. Gosto desta expressão: liberdade de e pela felicidade. Passei esta gravidez a rir desalmadamente; não escolhem agora, estas minhas gargalhas, os melhores momentos para se soltarem – imaginem estarem num Serviço de Finanças e alguém dizer uma piada mediana, sem especial cuidado ou critério, e terem uma grávida a chorar a rir. Tem graça assistir; se não forem meus amigos.

 

Foi o primeiro Inverno, este em que estive grávida, que foi passado sem frio e com as mãos e os pés quentes. Estive sempre bem, com este meu corpo a conseguir manter uma temperatura constante e agradável, para os dois habitantes que agora nele vivem.

 

Já estamos tranquilamente no nono mês desta gravidez feliz, e as tangerinas, mesmo ácidas, mesmo não sabendo a tangerinas, continuam a ser comidas como nunca, quase sempre ao ritmo dos Ornatos e dos The National e de uma ou outra gargalhada que se solta na altura mais imprevisível.

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