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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Seg | 18.12.17

Tiro ao homem.

Catarina Duarte

Aqui há uns meses, quando escrevi o meu texto sobre a polémica da Porto Editora, uma pessoa escreveu, de forma algo maldosa até, uma série de considerações sobre mim sem nunca se debruçar sobre a minha opinião.

 

Posso considerar que esse foi o meu primeiro hater que tive na vida e, desde então, nunca mais soube nada dele.

 

No texto que escrevi, eu liguei a polémica da Porto Editora ao tema liberdade de expressão. Podia ter falado do assunto de inúmeros prismas mas optei por esse. Porque acho importante falar-se e falar-se e falar-se deste tema, até à exaustão, para que as pessoas não se esqueçam nunca que não há liberdade de expressão com mas e que pessoas que dizem “eu sou a favor da liberdade de expressão mas o Charlie Hebdo foi longe demais”, são pessoas que, obviamente, não são a favor da liberdade de expressão.

 

Bom, mas, dizia eu, no meio do comentário do meu hater, ele dizia que não percebia como é que eu era a favor da liberdade de expressão e tinha os comentários moderados no blog, aprovando apenas aquilo que eu queria aprovar (que, normalmente, é tudo).

 

Ele não percebia e eu não lhe expliquei porque tenho por regra não dar visibilidade a gente que, em vez de argumentar uma ideia ou uma opinião, maltrata o detentor da mesma.

 

Atenção: eu não debati a sua questão (até, de certo modo, legítima) porque a mesma estava incluída num comentário bastante maldoso, agressivo e despropositado.

 

Mas, bom, hoje esbarrei neste texto (que vale muito a pena ler na íntegra) do João André, do blog Delito de Opinião, e ele explica, concretamente, aquilo que eu devia, se Deus me tivesse dotado de mais paciência, ter explicado quando o meu primeiro hater me questionou.

 

Deixo aqui a parte respeitante à moderação de comentários:

"Já quanto à "censura" que alguns comentadores clamam quando não aprovamos os comentários, tenho os seguintes pontos.

1. Não é censura. A censura é uma limitação grave da liberdade de expressão. Ao não aprovar um comentário ofensivo, agressivo, ou indecente, não impedimos qualquer liberdade de expressão. O comentador em causa continua a ser livre de colocar o mesmo comentário no Facebook, no Instagram, num blogue pessoal ou, se os donos tiverem estômago para isso, noutros blogues ou em jornais.

2. Limpar comentários nas caixas de cada um dos autores é um acto de higiene. Ninguém pensa que estamos a impedir liberdade de expressão às moscas quando removemos o lixo de nossas casas.

3. A democracia só o é de forma verdadeira quando existe um debate respeitoso. O ruído impede-o e, como tal, comentários ou opiniões agressivos e/ou ofensivos impedem uma discussão correcta. Como tal, numa discussão, ao limparmos eses comentários estamos a promover a democracia. Eu não retirarei o comentário não ofensivo de alguém que proclame a inferioridade de alguém de uma crença específica, mas fá-lo-ei a alguém que posteriormente insulte o autor desse comentário."

 

 

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