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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Dom | 02.03.14

Três R's: reequilibrar; reorganizar, relativizar.

Catarina Duarte

Quando me perguntam porque casei tão cedo, dada a geração onde me encontro, analiso sempre o olhar, por vezes, piedoso de quem me atira com tal pergunta.

Muitas vezes, faz-se acompanhar por uma cambada de incredulidade como que a acusar secretamente a opção de abdicar arrebatadoramente das noites de liberdade incondicional e soltura total.

Nunca, em todos os anos de casada, me senti aprisionada. A sede de liberdade não existe, simplesmente, porque nunca me senti enclausurada no meu próprio desafio de amor.

Não há amor sem renúncia. Desenganem-se os que permanecem na expectativa de aliar o melhor de dois mundos: a incerteza do que vou fazer amanhã com a estabilidade do lar. O truque para anos de felicidade reside, como quase em tudo, no meio-termo.

Amar, é por isso, reequilibrar emoções, reorganizar capítulos, relativizar disposições, é um “hoje cedo eu; amanhã cedes tu”; amar é trabalhar diariamente pela procura constante da coerência ilógica das coisas, para a felicidade comum de ambos. Um caminho não fácil; mas, sem dúvida, com um final que se recomenda.

Então, se não muda nada, porquê da decisão?

Porque Casamento é sinal de agradecimento no colectivo. Partilha de alianças, lágrimas e bebidas. É um momento que se quer único, para não mais repetir, daí que a gana de diversão seja elevada. Casamento é a celebração pública de algo privado. É um “olá sociedade” de algo que existe, não mensurável, não palpável: mas real.

Namoro é sinónimo, entre outras coisas, de entrega total e discussão descontrolada sobre todos os demais factores da vida.

Casamento é sinónimo, entre outras coisas, de entrega total e discussão descontrolada sobre todos os demais factores da vida.

Dominador comum da mesma equação, cuja variável equilibradora do teorema é somente o Amor.

Se trocava uma noite de sofá por uma boa saída com vodka à mistura. Trocava. Aliás, troco. Mas tenho a sorte de estar ladeada por alguém que, como eu, se sente melhor no rebuliço de uma noite inconsequente do que na calmia do lar.

E não, o Casamento não nos transformou em quem não somos, em monocórdios chatos e de pantufas. Continuamos os mesmos irresponsáveis, sempre prontos para o disparate. Mas a disparatar, oficialmente, juntos.