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(in)sensatez

16
Mar18

Turismo – outra vez.

CD

 

lisboaaaaa.JPG

 

(eu juro que, depois deste texto, me calo com o tema dos Turistas em Lisboa – pelo menos, durante umas semanas – mas, de facto, acho esta questão muito importante e que deve ser debatida até à exaustão).

 

Temos alguma legitimidade para mandar vir com os turistas em Lisboa, quando, muitas vezes, também nós somos turistas?

Eu julgo que sim, que temos toda a legitimidade.

 

O meu problema com o turismo em Lisboa é o deslumbramento. É saber que podemos estar a construir um turismo sem regras, completamente desenfreado, sem noção das consequências porque nunca parámos para pensar ou para aprender com os erros dos outros. E, depois, quando acordarmos, pode ser demasiado tarde.

 

O meu problema com o turismo em Lisboa é o abandono. É ter a suspeita que podemos estar a construir um turismo que arrefece costumes e que se constrói sentado na modernidade de quem chega. Um turismo que manda os de cá para outro lado qualquer, porque aqui já não há espaço para todos. Basicamente, o meu receio é estarmos a criar um turismo que abandona as pessoas que aqui vivem.

 

Na minha opinião, há que criar um equilíbrio entre os de cá e os de lá. Não pôr os de lá como os reis da Cocada, valorizar os de cá e dar-lhes a possibilidade de continuarem com as suas vidas no sítio onde pertencem. Criar condições para que os de lá e os de cá vivam alegremente sem os de cá se sentirem ultrapassados pela direita pelos visitantes.

 

Se quero os turistas fora da minha cidade? Não.

 

Não faria sentido dado que eu adoro ser turista e não queria ter essa possibilidade vetada. O que eu quero é um turismo consciente, um turismo equilibrado e não uma obsessão doentia ao dinheiro que o turismo traz, dentro das malas de porão, deixando entrar, por isso mesmo, sempre mais e mais pessoas, sem qualquer regra! Só isso.

 

Temos alguma legitimidade para mandar vir com os turistas em Lisboa, quando, muitas vezes, também nós somos turistas?

 

Sim! Claro que temos. Porque julgo que ainda vamos a tempo de voltar a equilibrar isto tudo. Por isso, falem, debatam este assunto e não se enervem porque ainda vamos a tempo.

E ir a tempo é muito bom.

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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