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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Qui | 20.07.17

Um país onde não se pode ter opinião.

CD

Há um ano, escrevi, a propósito de uma polémica que envolveu Rui Sinel de Cordes, um texto onde abordei o tema de liberdade de expressão.

 

Julgo que a liberdade de expressão é aquela coisa que toda a gente gosta de dizer que tem, porque é moderno viver num país livre e democrático mas que, bom, contas feitas ninguém está preparado para isso.

 

Na verdade, em Portugal, não se pode ter opinião. Felizmente, relativamente aos meus textos, quando os mesmos são de opinião, nunca tive ninguém a cravar fundo nas caixas dos comentários. Mas isso acontece. Acontece mesmo muito. As caixas de comentários dos jornais, das revistas, dos bloggers, dos humoristas, das pessoas que têm páginas públicas são um autêntico esgoto a céu aberto.

 

Com tudo o que as redes sociais nos trouxeram de bom, também trouxeram ao de cima, a lama peganhenta onde estão plantados alguns espíritos.

 

Bom, mas retomo hoje ao tema da liberdade de expressão porque são diários os exemplos em que as pessoas são fuziladas (não literalmente, claro) por tecerem um comentário. Reparem: por tecerem um comentário. Por muito grave que seja um comentário, nunca achei que fosse motivo de fuzilamento, ainda que não de forma literal.

 

Um dos últimos casos foi o de um médico, António Gentil Martins, (ia colocar aqui a idade dele – vá, tem 87 anos – mas, na verdade, não acho que, de algum modo, seja importante a sua idade) que disse umas palermices referente à homossexualidade. Com isto, surgiram logo achincalhamentos públicos, aberturas de processos e inúmeras crónicas (como esta) de defensores mas, principalmente, de agressores.

 

O grave, atenção!, não é a diversidade de opiniões mas, sim, o ódio e a perseguição a quem as torna públicas.

 

A democracia, aquilo que usamos como bandeira da nossa sociedade moderna, cosmopolita, cheia de turistas a brotarem, repleta de restaurantes requintados, a democracia, aquilo que nos deixa embeiçados como autênticos novos-ricos que nunca viram nada para além das bonitas terras de Trás-os-Montes, a democracia, aquilo que nos torna num país desenvolvido e culto, porque é bom e moderno sermos uma sociedade TOP, é um longo caminho a ser percorrido diariamente e, neste caminho, é necessário (e vital) o direito a manifestarmos uma opinião sem nunca termos medo das consequências.

 

Só isto.

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