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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Qua | 16.05.18

Violência em Alcochete: foi dramático mas não foi surpreendente.

CD

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Evito falar sobre futebol aqui no blog porque, se há tema onde a razoabilidade é escassa, é, exatamente, neste. Sou do Benfica, toda a gente que me segue sabe disso, porque não faço questão de o esconder, mas daí a fazer comentários concretos só mesmo quando o tema é demasiado aliciante ou, então, demasiado grave, como é o caso deste. Acresce o facto de, neste tema, a orientação clubística pouco ou nada interessa: é claramente uma questão que vai muito para além do clube.

 

O que se passou ontem no Sporting, apesar de ter passado todos os limites, de estar banhado de imagens que nos chocam e que nos fazem soltar expressões incrédulas, não foi, propriamente, surpreendente.

 

Estou há meses a dizer, na minha esfera pessoal, que o Presidente do Sporting não é Presidente para o Sporting, que fala como se de um regime totalitário se tratasse, que incentiva à violência, sem qualquer noção do cargo que ocupa, que dá sinais claros que, em Alvalade, os temas não são tratados com sensatez, que dá conselhos para que não se comprem jornais para além do jornal do clube, que diz que vai excluir do clube todos os sócios que não mostrem respeito pelo Sporting e que mistura questões de adepto com questões de gestão, que ameaça os jogadores com processos disciplinares, que cria constantemente conflitos com eles, e que vem lavar roupa suja sistematicamente para as redes sociais.

 

Como adepto, o Bruno de Carvalho faz o seu papel na perfeição, aliás, conheço poucos que vibrem tanto com um clube como ele. Mas não é para adepto que ele foi eleito. Como presidente, Bruno de Carvalho, mesmo que a sua intenção não seja essa (e eu até acredito que não seja), é um rastilho de pólvora, perigoso para o Sporting e perigoso para o futebol.

 

Se ama tanto o clube como diz, não me parece que existam mais alternativas para além da sua demissão. Pode não ter lá estado fisicamente a agredir jogadores, equipa técnica e médica, mas o clima de revolta que instalou no clube, garantidamente, ajudou a criar as condições necessárias para que uma situação destas acontecesse.

 

Por isso, digo, esta situação não foi surpreendente!

 

Tenho a certeza que grande parte dos sportinguistas repudia uma situação destas.

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Ontem foi, verdadeiramente, um dia triste para o futebol.